Enviado a La Zarzamora/ *Traducción al español al final.
Contra o fascismo todas as ações são úteis!
Encontra teu lugar na luta.
Revolte-se!
São os dizeres de um cartaz que apareceu nas ruas de Porto Alegre em 2019, e que são dizeres vigentes, antes de 2019, depois de 2019, nestes dias e que serão vigente ainda muito depois.
Nestes tempos em que o apelo anti fascista tende a afunilar-se no voto diante de um contexto em que o resultado das eleições no Brasil podem consolidar o neo fascismo a nível continental, nos é importante compartilhar um olhar anárquico que nos possibilite sair do pânico e construir antagonismos aos fascismos atuais, apesar de que nada seja tão simples assim. Para isso inicialmente vamos a entender que enquanto anárquicos e anarquistas, fazemos parte de coletividades, redes, e grupos dentro da sociedade que não compartilham nossa posição política, para depois apontar e precisar que nossas posições políticas não são sinônimos de pertencimentos ou identidades.
Cientes de que habitamos territórios felizmente diversos e com pessoas que tem maior ou menor apego à autonomia e a auto determinação, pensarmos nos diferentes lugares de luta contra o fascismo, consiste precisamente em aceitarmos dentro dessa diversidade, mutuamente, o que
quer dizer horizontalmente, longe das tentativas uniformizadoras. Então podemos respeitar e entender que os cidadãos votantes “lutem” por não ter um presidente fascista, mediante o voto. Ao final é uma vergonha andar pelo mundo com a imposição majoritária de governantes misóginos, racistas, e aquele longo etc que bem sabemos sobre as famílias com tendência monarquista e miliciana. E mais profundamente, é respeitável o ódio que sentem por um personagem desse naipe. Quando trata-se de pessoas que não compartilham o local ácrata de luta contra o sistema, seu lugar na “luta” é nas urnas e é entendível.
Agora quando falamos de pessoas que escolhem a anarquia como posição política, e seus locais de luta é que nos debruçamos com um debate que a cada eleição nos faz perder companheiros e que a cada eleição nos joga diante de acusações de supostos purismos, falta de tática, falta de solidariedade, indiferença e outro longo etc. No entanto, o que no fundo incomoda a cada eleição é o fato de que os mesmos anarquistas chamem a fazer campanha por um candidato e façam apelo ao chamado “voto tático”.
Independentemente dos argumentos, isso incomoda não apenas quem escuta esses apelos e decide que sendo anarquista não tem como votar, mas acredito que incomoda também a quem vai na campanha, faz o apelo e tem que pensar, argumentar, escrever, fazer vídeo ou responder que apesar de… segue sendo anarquista. É nessa mesma justificativa que pode ser percebido que votar não forma parte do repertório das práticas anarquistas.
Ao nos perguntarmos sobre nosso lugar na luta contra o fascismo o que evidencia que somos anarquistas? Qual é a diferença com os demais? O apelo ao voto anarquista já nos indica que somos reconhecidos por não votar. Então pedem-nos, diante do desespero, o favor de abdicar de uma de nossas práticas e isso não é pouca coisa.
Um dos nossos fundamentos, enquanto anárquicos e anarquistas, é o rechaço ao Estado. Odiamos ele porque enxergamos nele a cristalização de todos os processos opressivos, mas mesmo odiando o Estado ele nos afeta, e as pautas que possam resultar do circo dos horrores que foi eleito, vão nos afetar com politicas que procuram devolver forças para o patriarcado, ao militarismo, ao extrativismo, a moralidade religiosa, ao conservadorismo. De fato é por isso que odiamos o Estado, porque ele nos afeta, porque nos impõe.
Para além desse fundamento, o que do anarquismo fez com que nosso coração batesse e escolhêssemos esse caminho? Se há algo que fazemos sem nenhuma obrigação é ser parte das agitações e movimentos anarquistas, então sendo uma escolha tão livre, o que dessa proposta nos tocou o coração?
A autonomia, a autogestão, a horizontalidade, o apoio mútuo, a solidariedade, são práticas anarquistas que também são fundamentais e que, inegavelmente, são também incompatíveis com a existência dos Estados, porque cada Estado pretende anular essas práticas. Se sustenta
no discurso de que as pessoas não sobreviveríamos sem o Estado, apesar de que catástrofes já demonstraram a efetividade da organização horizontal, apesar de que a história social e coletiva tem se desenvolvido majoritariamente sem Estado se pensamos nela historicamente e fora do eurocentrismo.
Então, porque resulta tão grave assim votar? Porque não celebramos que alguém se diga anarquista e vote quando as eleições esquentam? Porque criticamos que alguns acreditem que seu lugar na luta contra o fascismo é votar pelo Lula? Um Estado se valida, dentro de suas fronteiras e internacionalmente, através da democracia, ou pelo menos, é a convenção
aceita pela maioria dos Estados. O problema com a democracia é que através dela se pode tudo, inclusive, o fascismo, o neo nazismo e vários regimes autoritários conseguem chegar ao poder estatal mediante a democracia, porque essa democracia, que não tem especificações sociais
ou econômicas explícitas, tem em contraponto um ritual que parece ser imprescindível para caraterizá-la: as eleições. Votar se transforma assim no pacto fundacional entre o Estado e o cidadão que aceita com esse pacto quem ganhou e quem perdeu, por isso que a “dúvida permanente” sobre a transparência das urnas, seja tão criticada pelos estatistas, por isso que questionar os resultados das eleições, seja mais ou menos como desconfiar de deus.
Eis poque votar resulta tão grave assim: porque nos obriga não apenas a imposição do Estado e seus hierarcas, mas porque abdicamos de uma prática para botar nossa gota de vaselina na engrenagem do pacto de submissão estabelecido entre cidadãos e a máquina burocrática policial
que é o Estado.
A cada eleição perdemos, não apenas companheiros mas sim a seriedade e a possibilidade de construir movimentos, propostas e horizontes diferentes a todas as propostas Estado centristas, perdemos a possibilidade da escolha orgulhosa e convicta, perdemos em evidência, porque os anarquistas não somos uma identidade alternativa ou um estilo de vida, os anarquistas somos um caminho de luta hostil contra o sistema de dominação, contra a normalidade imposta, somos uma força antagônica contra o estado e o capitalismo. Esse é nosso diálogo com o poder. E as
razões para que essa seja nossa escolha as conhecemos muito bem e estão muito profundamente encravadas em nossos corações.
Encontrar nosso lugar na luta, não significa perder nossa posição anarquista e sim desde ela construir práticas antagônicas ao fascismo, à dominação, ao estado e o capitalismo.
Não parecem tempos em que procurar construir autonomia e apoio mútuo sejam suficientes, o avanço das múltiplas formas de extrema direita nos alertam que necessitamos fortalecer antagonismos contra eles, porque é evidente que não vão desaparecer sozinhos. Nosso salve a essa faixa que nos lembra “Pela destruição total do estado, do fascismo, ataca sem piedade…” clareza profunda em meio as eleições.
Temos uma longa história, não uniforme nem estática, com projeto vigente de abolir os Estados e todas formas de dominação, e nesse caminhar esperamos poder continuar afirmando: Nós anarquistas estamos onde sempre estivemos: na defesa da liberdade contra todas as tiranias!
Alguns Anarquistas pela Anarquia
Outubro 2026
TRADUCCIÓN AL ESPAÑOL
¡Contra el fascismo todas las acciones son útiles!
Encuentra tu lugar en la lucha. ¡Revuelta!
Son las palabras de un cartel que apareció en las calles de Porto Alegre en
2019, y que siguen vigentes —antes de 2019, después de 2019, en estos
días— y que lo seguirán siendo mucho tiempo después.
En estos tiempos en los que el llamamiento antifascista tiende a reducirse al voto —ante un contexto en el que el resultado de las elecciones en Brasil podría consolidar el neofascismo a nivel continental—, nos parece importante compartir una mirada anárquica que nos permita salir del pánico y construir antagonismos frente a los fascismos actuales, aunque nada sea tan sencillo. Para ello, debemos entender, en primer lugar, que como anárquicos y anarquistas formamos parte de colectividades, redes y grupos dentro de una sociedad que no comparte nuestra posición política; y, en segundo lugar, señalar y precisar que nuestras posturas políticas no son sinónimos de pertenencias o identidades. Conscientes de que habitamos territorios afortunadamente diversos, poblados por personas que sienten un mayor o menor apego a la autonomía y a la autodeterminación, reflexionar sobre los distintos espacios de lucha contra el fascismo implica, precisamente, aceptar —de manera mutua y dentro de esa diversidad— lo que significa actuar horizontalmente, lejos de cualquier intento de uniformización. Así, podemos respetar y comprender que los ciudadanos con derecho a voto «luchen» —mediante el sufragio— para evitar tener un presidente fascista. Al fin y al cabo, resulta vergonzoso transitar por el mundo bajo la imposición mayoritaria de gobernantes misóginos, racistas —y todo lo que eso conlleva, incluyendo las dinámicas propias de familias con tendencias monárquicas o vinculadas a milicias—. Y, yendo más a fondo, es comprensible el odio que sienten hacia un personaje de esa calaña. Cuando se trata de personas que no comparten una postura anárquica frente al sistema, su lugar en la «lucha» se sitúa en las urnas; y eso es algo perfectamente entendible.
Ahora bien, cuando hablamos de personas que eligen la anarquía como postura política —y de sus espacios de lucha—, nos adentramos en un debate que, en cada elección, nos hace perder compañeros y nos expone a acusaciones de supuestos purismos, falta de táctica, falta de solidaridad, indiferencia y un largo etcétera. Sin embargo, lo que en el fondo resulta molesto en cada elección es el hecho de que esos mismos anarquistas llamen a hacer campaña por un candidato y apelen al llamado «voto táctico».
Independientemente de los argumentos, esto incomoda no solo a quien escucha estos llamamientos y decide que, al ser anarquista, no puede votar; creo que también incomoda a quien participa en la campaña, lanza el llamamiento y tiene que reflexionar, argumentar, escribir, grabar un video o responder que, a pesar de todo… sigue siendo anarquista. Es precisamente en esta justificación donde se puede percibir que votar no forma parte del repertorio de las prácticas anarquistas.
Al preguntarnos por nuestro lugar en la lucha contra el fascismo, ¿qué es lo que evidencia que somos anarquistas? ¿Cuál es la diferencia con los demás? El llamamiento al voto anarquista ya nos indica que se nos reconoce por no votar. Entonces, ante la desesperación, nos piden el favor de renunciar a una de nuestras prácticas, y eso no es poca cosa.
Uno de nuestros fundamentos, como anárquicos y anarquistas, es el rechazo al Estado. Lo odiamos porque vemos en él la cristalización de todos los procesos opresivos; pero, aun odiándolo, el Estado nos afecta.
Las medidas que puedan surgir del «circo de los horrores» que ha sido elegido nos afectarán mediante políticas que buscan devolver fuerza al patriarcado, al militarismo, al extractivismo, a la moral religiosa y al conservadurismo. De hecho, es por eso que odiamos al Estado: porque nos afecta, porque nos impone.
Más allá de este fundamento, ¿qué es lo que, dentro del anarquismo, hizo latir nuestros corazones y nos llevó a elegir este camino? Si hay algo que hacemos sin ninguna obligación, es participar en las agitaciones y movimientos anarquistas; así pues, al tratarse de una elección tan libre, ¿qué es lo que, en esta propuesta, tocó nuestros corazones?
Autonomía, autogestión, horizontalidad, apoyo mutuo, la solidaridad, son prácticas anarquistas que también son fundamentales y que, indudablemente, también son incompatibles con la existencia de la Estados, porque cada Estado pretende anular estas prácticas. Se sostiene a sí mismo en el discurso de que la gente no sobreviviría sin el Estado, a pesar de que las catástrofes ya han demostrado la eficacia de la organización horizontal, a pesar de que la historia social y colectiva ha desarrollados principalmente sin el Estado si lo pensamos históricamente y fuera del eurocentrismo.
Entonces, ¿por qué resulta tan grave votar? ¿Por qué no celebramos que alguien se declare anarquista y vote cuando las elecciones se caldean? ¿Por qué criticamos que algunos crean que su lugar en la lucha contra el fascismo es votar por Lula? Un Estado se legitima, tanto dentro de sus fronteras como a nivel internacional, a través de la democracia —o, al menos, esa es la convención aceptada por la mayoría de los Estados—. El problema de la democracia es que, a través de ella, todo es posible: incluso el fascismo, el neonazismo y diversos regímenes autoritarios logran acceder al poder estatal mediante la democracia. Esto se debe a que dicha democracia —que carece de especificaciones sociales o económicas explícitas— conlleva un ritual que parece ser indispensable para caracterizarla: las elecciones. Votar se convierte, así, en el pacto fundacional entre el Estado y el ciudadano; un pacto mediante el cual este último acepta quién ha ganado y quién ha perdido. Es por ello que la «duda permanente» sobre la transparencia de las urnas es tan criticada por los estatistas; por eso, cuestionar los resultados electorales equivale, poco más o menos, a desconfiar de Dios.
He aquí por qué votar resulta algo tan grave: porque no solo nos somete a la imposición del Estado y sus jerarcas, sino porque renunciamos a una práctica que nos permitiría poner nuestra gota de vaselina en el engranaje del pacto de sumisión establecido entre los ciudadanos y la maquinaria burocrático-policial que es el Estado.
En cada elección perdemos, no solo a compañeros, sino también la seriedad y la posibilidad de construir movimientos, propuestas y horizontes distintos a todas las propuestas estatocéntricas; perdemos la posibilidad de una elección orgullosa y convencida; perdemos visibilidad, porque los anarquistas no somos una identidad alternativa ni un estilo de vida: los anarquistas somos un camino de lucha hostil contra el sistema de dominación, contra la normalidad impuesta; somos una fuerza antagónica frente al Estado y el capitalismo. Ese es nuestro diálogo con el poder. Y las razones por las cuales esta es nuestra elección las conocemos muy bien, y están profundamente arraigadas en nuestros corazones.
Encontrar nuestro lugar en la lucha no significa perder nuestra posición anarquista; al contrario, implica construir, desde ella, prácticas antagónicas al fascismo, a la dominación, al Estado y al capitalismo.
No parecen tiempos en los que buscar construir autonomía y apoyo mutuo sea suficiente; el avance de las múltiples formas de extrema derecha nos advierte que necesitamos fortalecer los antagonismos frente a ellas, porque es evidente que no van a desaparecer por sí solas. Un saludo a esa pancarta que nos recuerda: «Por la destrucción total del Estado, del fascismo, ataca sin piedad…»; una claridad profunda en medio de las elecciones.
Tenemos una larga historia, ni uniforme ni estática, con un proyecto vigente de abolir los Estados y todas las formas de dominación, y en este caminar esperamos poder seguir afirmando ¡Nosotros, los anarquistas, estamos donde siempre hemos estado: en defensa de la libertad contra todas las tiranías!
Algunos anarquistas por la anarquía.
Octubre 2026

